Magnifica Humanitas (1)

Magnifica Humanitas (1)

WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn

          No último dia 15 de maio de 2026, o Papa Leão XIV, presenteou o mundo com a sua primeira encíclica, chamada Magnifica Humanitas, um momento muito esperado por todos, haja vista ele ter dado sequência ao seu predecessor Leão XIII, que foi Papa de 1878 a 1903, houve muitas especulações sobre qual seria o seu tema e também o ponto de partida em relação ao seu pontificado, quais as necessidades do tempo presente, quais as alegrias que devemos conservar e quais as tristezas que devemos curar. Papa Leão XIV assume o papado num momento crucial, cai em suas mãos um mundo profundamente marcado pela desigualdade, pela violência, o meio ambiente sob forte pressão humana, o ser humano vulnerável como jamais esteve antes, uma modernidade que jamais foi moderna em seu sentido pleno; Leão XIV descreve nesse texto profundo uma visão acurada desse mundo.

          A Magnifica Humanidade é distribuída em cinco capítulos, mais a sua introdução e considerações finais, com frequência ela volta ao passado, chega no presente e lança luzes para o futuro, cada época em especial tem os seus desafios, nem maiores, nem menores que os de tempos de antanho, esse é o nosso momento, é aqui que nos encontramos, recebemos este mundo de outros que vieram antes de nós, esse mundo é densamente costurado por várias ideias, doutrinas, religiões, agir e também formas de pensar. Nosso momento é único e irrepetível, já no seu início Leão XIV mostra o pano de fundo da Magnifica Humanidade, qual seja, a Rerum Novarum, cento e trinta e cinco anos depois, o mundo deu um salto vertiginoso, muitas conquistas, grandes descobertas, mas nesse caminho nem tudo são flores, cresceu o temor, paira no ar uma boa dose de desconfiança.

          A introdução da Magnifica Humanidade lança um questionamento sobre as nossas escolhas atuais, isto é, caminhar para a ruína ou “construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”, duas imagens rondam a nova encíclica, ou seja, a famosa torre de Babel, lá do livro do Gênesis e a reconstrução das muralhas de Jerusalém, contida no livro de Neemias. Duas imagens, que salvaguardadas as devidas proporções são o retrato do mundo atual em que vivemos, em ambos os casos os seres humanos encontram-se presentes, esses fazem as suas escolhas, decidem por um caminho, num e noutro episódio estão contidas as decisões, a responsabilidade pelos atos praticados, bem como as consequências advindas desse agir; duas figuras emblemáticas que não podem ser analisadas em separado, bem como essa encíclica não pode ser lida só pelo viés religioso.

           A torre de Babel é feita pelos seres humanos, esses usam nessa construção a técnica, a engenharia, o progresso, ela contém na sua base a audácia e nenhum limite, essa obra se levanta sob os olhares atônitos de muitos outros que estão de fora, muitos se perguntam onde aquilo iria parar, nenhum controle, nenhuma precaução, nenhum temor, tudo parecia correr muito bem até que num dado momento ela desaba sobre tudo e todos. Muito mais tarde Neemias descreve uma situação da extrema fragilidade humana, os exilados depois de um cativeiro severo retornam à sua terra e o que encontram é um lugar assolado pela precariedade, pobreza e muita destruição, caos e morte estão diante dos olhos de todos; Neemias depois de observar, refletir, rezar e conversar com todos, decide pela reconstrução partilhada, todas as pessoas daquele grupo contribuem sim para a vida.

          Bioeticamente, a Magnifica Humanidade já em sua introdução nos adverte que um percurso feito somente pelo viés da técnica, da força, do individualismo, do menosprezo pelo outro, da crença de que o ser humano pode tudo, sem levar em conta o mundo ao seu redor, pode facilmente ruir, Leão XIV nessa introdução deixa muito evidente que toda e qualquer soberba humana possui o seu tendão de Aquiles, mais cedo ou mais tarde ele é ferido de morte. Em nenhum momento a Magnifica Humanidade é contra a técnica ou o progresso humano, isso é realmente necessário, porém se essa técnica e engenharia humana levar em conta apenas e tão somente as suas capacidades, prescindindo do outro e do mundo, ela não tem chance de obter êxito, quando muito progressos muito bem localizados e a serviço de poucos, gerando assim um mundo estéril, pobre e desiludido.

Rosel Antonio Beraldo, mora em Verê-PR, Mestre em Bioética, Especialista em Filosofia, ambos pela PUCPR; Anor Sganzerla, mora em Curitiba-PR, Doutor e Mestre em Filosofia, professor titular do programa de Bioética pela PUCPR. Emails: ber2007@hotmail.com e anor.sganzerla@gmail.com

Fonte: diariodosudoeste.com.br


Deixe um comentário

Noticias relacionadas

Síganos

Últimas noticias

Un paseo por la frontera

Turismo

Intercambio de Fronteras

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --