Magnífica Humanidade (2)

Magnífica Humanidade (2)

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          O capítulo um da Encíclica Magnífica Humanidade coloca em alto relevo a palavra responsabilidade, é essa palavra que ao longo de todo o documento vai aparecer diversas vezes interpelando cada um de nós, até que ponto a humanidade se julga responsável pelo que vem acontecendo, como certos setores fazem o que fazem e se eximem da responsabilidade, relegando ela para outras áreas que muitas vezes nada fizeram ou não entraram em cena no acontecido. Hoje há mecanismos perversos que possuem a força de distorcer a verdade, de fraudar os dados, de armar situações macabras onde a responsabilidade é diluída de forma sutil, porém muito bem arquitetada; a sociedade atual tem diante de si inúmeras situações que a desafiam sobremaneira, é um exercício hercúleo procurar entender esse momento, uma era que tem seus dias contados e outra começando.

          A responsabilidade, segundo o atual Papa Leão XIV exige muito de cada um, ler a realidade com profundidade, hoje como em nenhum outro momento a humanidade viu diante de si inúmeras linguagens, sejam essas para o bem ou para o mal, linguagens hoje provocadas deliberadamente pela “inteligência artificial”, essa diga-se que não tem nada de neutra, ela serve a interesses que a criaram e estão lhe aperfeiçoando. Infelizmente a maioria esmagadora de nós pouco ou nada sabe sobre o que de fato venha a ser essa “inteligência artificial”, sabemos apenas o que nos chega, ou seja, notícias filtradas, peneiradas, diluídas em meias palavras, em meias verdades, aparências bem maquiadas, mas que nada garantem que o futuro será brilhante, como alguns ufanistas vem declarando; onde quer que estejamos sim, somos interpelados por esse novo mundo diuturnamente.

          O momento atual é também marcado pela pressa, pela rapidez, pelo tudo ou nada, pelas muitas “verdades” que grandes grupos dizem ter e passam suas ideias muito bem embaladas, pacotes de presentes reluzentes, mas que escondem dentro de  si o velho e tradicional presente de grego, esse capitulo um cita o enfraquecimento gradual da política mundial, o seu amplo descrédito perante a opinião pública, essa atual política que se deixou cooptar pelo sistema financeiro mundial não segue a sua verdadeira vocação que é olhar pelo todo, hoje de modo triste e muito bem sentido, a política atende apenas de modo muito limitado a sociedade e olha com benevolência aqueles grupos onde prevalece apenas o poder, a força e o dinheiro; a politica atual sorri para aquele grupo que paga mais por ela, para que defenda os seus interesses, ela já não se interessa pelo todo e sim por uma parte.

          Muitas coisas “novas” estão acontecendo no mundo inteiro, o século XX é o modelo por excelência em termos de transformação, alegrias e tristezas presentes de modo constante, o melhor e o pior dos seres humanos brotam em diversas situações, guerras, regimes totalitários, armas nucleares, divisões territoriais, um progresso que jamais vem com o compromisso de estar ao lado de todos e para o bem de todos, as contradições do desenvolvimento estão por todos os lados, isso acirra os ânimos, gera cada vez mais desconfianças, ressentimentos e um desejo de vingança que aparece com frequência aqui e acolá ; no epicentro das transformações está o ser humano, quando este se dá conta, já encontra-se mergulhado num mundo “novo”, mas velho e morto ao mesmo tempo, esse mundo dito moderno muitas vezes quer um mundo novo sem as pessoas habitando nele.

          Bioeticamente, esse primeiro capítulo da Magnífica Humanidade, faz um profundo recuo histórico, ele nos lembra  que o que aconteceu lá atrás, está aqui entre nós novamente com uma nova roupagem e ainda com mais força, pois vem envolvido pelo paradigma tecnocrático que pretende dar a solução para tudo o que aí está, esse tempo nos lembra a Magnífica Humanidade tem no seu centro o ser humano e que esses diante de tantas “novidades” corre um risco imenso de naufragar em sonhos prometeicos, ilusórios e que nem sempre correspondem aos seus anseios mais profundos, o que antes era tido como impossível de acontecer, torna-se agora uma realidade , porém com componentes desconhecidos pela imensa maioria; já tivemos um pequeno ensaio em 2020 com a vinda do ser invisível, evento esse que aliás deixou marcas profundas, mas não levamos a sério.  

Rosel Antonio Beraldo, mora em Verê-PR, Mestre em Bioética, Especialista em Filosofia, ambos pela PUCPR; Anor Sganzerla, de Curitiba-PR, Doutor e Mestre em Filosofia, professor titular do programa de Bioética pela PUCPR. Emails: ber2007@hotmail.com e anor.sganzerla@gmail.com

Fonte: diariodosudoeste.com.br


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