Ex-prefeito de Curitiba por três mandatos, Rafael Greca de Macedo, 70 anos, é hoje um dos nomes mais conhecidos da política paranaense. Nascido em Curitiba em 17 de março de 1956, é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em Urbanismo, e também possui diploma em Economia pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná. Além da carreira pública, é escritor, poeta e pesquisador de história, com assento na Academia Paranaense de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.
Sua trajetória política começou como vereador e passou por mandatos como deputado estadual constituinte e deputado federal. Comandou Curitiba em três períodos (1993-1996, 2017-2020 e 2021-2024) e ocupou o Ministério do Esporte e Turismo no governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1999 e 2000. Nos últimos anos, esteve à frente da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável, na gestão de Ratinho Junior (PSD), cargo que deixou para viabilizar sua candidatura ao Executivo estadual.
Após deixar o PSD, migrou para o MDB, legenda que oficializou sua pré-candidatura ao governo do Paraná em junho, ao lado de Alvaro Dias pré-candidato ao senado pela sigla. Greca disputa o Palácio Iguaçu pela primeira vez, em um cenário que reúne outros nomes fortes, como Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD), este último apoiado pelo governador Ratinho Junior. Greca aposta na experiência à frente da capital paranaense — argumento que repete com frequência: é o único entre os pré-candidatos que já governou uma cidade.
Nesta entrevista ao Diário do Sudoeste, o pré-candidato fala sobre seus planos para o interior do estado, incluindo a região Sudoeste do Paraná, suas propostas para desenvolvimento regional e sustentabilidade, e os bastidores da articulação política que busca viabilizar sua candidatura até as convenções partidárias.
Diário do Sudoeste: Rafael Greca, o cenário que se apresenta hoje com a pesquisa da Vox Brasil colocando o seu nome em segundo lugar nessa disputa, com reais condições de chegar ao segundo turno, fazendo frente ao senador Moro. Como o senhor vê essa caminhada de pré-candidatura até as convenções?
Rafael Greca: Eu vejo com muito entusiasmo. A pesquisa foi colhida presencialmente, de maneira muito séria, com questionários presenciais, não foi por telefone.
E é uma pesquisa nacional, é uma pesquisa que não é paga por ninguém aqui do Paraná, por nenhum órgão chapa branca. Eu fui surpreendido, vendo na internet o resultado publicado, e claro que eu fiquei feliz.
Até porque a semana que passou, que era o tempo em que estavam coletando os dados, houve muito fake news, me colocavam de vice de um, de vice do outro, diziam que eu não queria ser mais candidato, diziam que eu queria a oposição junto comigo, para procurar desmanchar qualquer possibilidade de avanço do meu nome. Mas, referendado pelo MDB, inclusive com uma nota do presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi, e com uma nota do deputado estadual, presidente estadual do partido, o deputado federal Sérgio Souza, eu eis-me aqui, candidatíssimo, já de convenção marcada para o dia 2 de agosto, e já conversando com outros partidos, para nós chegarmos a uma composição de chapa para o pleito desse ano. O nome do meu concorrente principal ficou muito evidente por muitos anos como personalidade contrária ao poder instituído, ao presidente da república, e também por muitos anos como personalidade protagonista do rumoroso caso Lava Jato.
E eu fiquei sempre mais conhecido pelo que eu sempre fiz, que foi cuidar de Curitiba e da região metropolitana, embora eu tenha sido também presidente estadual da Cohapar, Companhia de Habitação do Paraná, e também eu tenha sido várias vezes secretário de Estado no governo do ex-governador Jaime Lerner, e no governo do ex-governador Requião, e agora, recentemente, secretário de Estado no governo Ratinho Júnior. Então, chegando a um índice de 20% no começo do campeonato, eu só posso ficar feliz.
Diário do Sudoeste: Antes de começarmos a entrevista, o Senhor estava falando sobre energias renováveis.
Rafael Greca: Eu recebi aqui um grupo de engenheiros, tanto ligados a PCHs como a CGHs, pequenas centrais hidrelétricas, grandes centrais hidrelétricas, como também engenheiros ligados à ideia de um programa estadual de biometano. Baseado naquilo que estudou com precisão e, para o orgulho nosso, ganhou o Nobel de Agronomia e de Agricultura, do ano passado, a professora paranaense Maria Ângela Hungria, pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina e funcionária nacional da Embrapa. Dentro do que a Maria Ângela pensa e do que penso também eu, está mais do que na hora de fazermos uma indústria paranaense de biometano, de investirmos em todo o sudoeste, o oeste e também no norte do Paraná. Num dia seguinte do próspero agronegócio que já temos, de nos livrarmos do passivo ambiental das carcaças de frango, das carcaças de suínos, das carcaças de boi e nos livrarmos do passivo ambiental da matéria orgânica acumulada que tanto mal faz, inclusive vai acabar fazendo mal ao solo do Paraná, se não houver um tratamento adequado.
Então é nossa vontade criar uma cadeia produtiva para o biometano através de muitos biodigestores, mas também criar uma cadeia produtiva para criar frotas públicas de transporte coletivo em todas as cidades grandes do Paraná, de transporte de cargas em direção ao porto para que o agronegócio vá e volte em veículos com combustível verde e até sonharmos, por exemplo, numa isenção de pedágio para quem transportar cargas verdes com combustível verde. São coisas que estou tentando colocar no meu futuro programa de governo e é claro que tudo pede ainda aferição, mas como somos feitos da mesma matéria dos sonhos e como eu já sonhei uma pirâmide solar para Curitiba em cima de uma usina de lixo, eu acho que tenho o direito de sonhar tudo o que eu quiser e vou fazê-lo porque todo mundo sabe. Se está difícil para os outros, eu sou especialista em dizer se está difícil para você, deixa que eu faço.
Diário do Sudoeste: O Paraná é uma referência na educação. O Senhor sempre foi um grande defensor da educação, uma pessoa que sempre estudou muito. Temos bons programas. E como o Senhor vê após o governo Ratinho que se encerra final do ano?
Rafael Greca: Eu vejo com entusiasmo, porque nada se compara ao cérebro que lê. Eu vejo o IDEB avaliado como muito bom, mas eu acompanhei pessoalmente a evolução da educação em Curitiba através da rede municipal de ensino, com a professora Maria Sílvia Bacila, que foi a minha secretária de educação, e depois saiu de Curitiba para a consultoria da Unesco. Nós ganhamos o prêmio de melhor escola pública do mundo em 2024, e a minha secretária de educação agora está em São Paulo, cuidando dos programas de pedagogia do Estado inteiro de São Paulo e da capital de São Paulo.
Então, eu acho que nós podemos avançar sempre mais, porque nada se compara ao cérebro que lê. Nós temos que acomodar um grande programa de letramento e de acompanhamento das crianças, para que tenham um letramento perfeito, com um programa de letramento eletrônico, ou de letramento para a inovação. E não tirarmos da cabeça, de que as crianças precisarão sempre do cérebro que lê, porque não existe uma inteligência artificial para construir o futuro.
O próprio Papa Leão XIV está aconselhando todos os pais, todas as famílias, e também todos os pastores, os sacerdotes, os padres. Está aconselhando no sentido de que uma coisa é a inteligência natural, que é a que brota do espírito humano e que gera o humanismo. A outra coisa é a inteligência dos algoritmos ou a inteligência artificial. Os algoritmos nunca serão éticos.
Então, a minha escola pública será pública, gratuita, generosa, contemplando os piás e meninas do Paraná de maneira a que tenham o máximo para serem os mais educados do país, mas sobremaneira. Ela será uma escola pública muito ética, muito voltada para que meninas e rapazes do Paraná sejam éticos. Porque se entra só em copiar coisas de algoritmos artificiais, pode vir também uma sociedade que não seja humanista, que não seja ética.
Então, os professores sabem que podem contar comigo, sabem que eu sou o Rafael dos faróis do saber, que pontuaram todas as esquinas de Curitiba, que o prêmio de cidade mais inteligente do mundo que foi dado a Curitiba foi dado sobremaneira pela qualidade da nossa escola pública, pela robótica da nossa escola pública. Não sei se sabem aí no interior, mas em Bíblos, no Líbano, onde nasceu a Bíblia, os meus Curitibinhas da escola de filhos de ferroviários do Durival de Brito ganharam o prêmio mundial de robótica. Então, tem muita coisa que nós ainda podemos conquistar e nós vamos dar às crianças o que há de melhor.
Diário do Sudoeste: Na área da saúde, o Paraná também avançou bastante nos últimos anos. Vem avançando, mas tem muito para ser feito. O que o senhor tem pensado para esses próximos anos?
Rafael Greca: Tudo tem que ser feito com uma regulação muito consciente, para que o paciente que precisa do hospital de ponta, na ponta do sistema do SUS, não seja barrado no meio do caminho.
É muito importante que a regulação tenha uma atenção regionalizada.
Eu sei que Palmas não tem regional de saúde. E acho que precisa, porque se cada grande cidade tiver uma central de regulação, nós vamos poder distribuir as necessidades e os anseios para cada hospital próprio de cada local. Se, por exemplo, tem uma especialidade em Pato Branco que não tem em Beltrão, nós vamos encaminhar os pacientes regionais para Pato Branco.
Se abrirmos uma outra especialidade ou um outro tipo de serviço em Palmas, vamos encaminhar para Palmas. Ponta Grossa, por exemplo, tem hoje fila de espera para crianças que precisam de neuropediatria. Tem 1.117 pessoas esperando para entrarem em uma consulta de neuropediatria.
Isso me disseram em Ponta Grossa. Quem me disse até foi uma vereadora da cidade. Então, tudo o que a gente puder fazer para que a saúde não despeça ninguém de mãos vazias e para que as pessoas todas tenham acesso ao médico e à saúde, e para que também exista a telemedicina que existe em Curitiba hoje, possa isso ser feito para o Estado inteiro.
Por exemplo, como é que é a telemedicina de Curitiba? Você liga, a mamãe está aflita do outro lado, com uma criancinha que está se afogando. A médica por telemedicina já vê se o caso é de gravidade, se o caso é de chamar uma ambulância, se o caso é de encaminhar simplesmente para o dia seguinte para um posto de saúde normal, se o caso é simplesmente uma alergia ou uma aflição provocada por um sintoma de gripe. A médica, pela telemedicina, tem condição de ver quem precisa de ambulância, quem precisa ir para um hospital geral ou quem simplesmente pode ser acolhido dentro de casa.
Então, eu acho que nós podemos trabalhar muito com centrais de telemedicina, sobremaneira para as cidades menores, a partir de centrais de difusão do conhecimento e do atendimento nas cidades maiores.
Diário do Sudoeste: A questão da segurança pública também avançou muito o Estado, tem muitas ações sendo feitas, mas o Paraná é caminho no tráfico de drogas, para Santa Catarina, para São Paulo, para o resto do Brasil.
Rafael Greca: O mundo inteiro é caminho de tráfico de drogas, baseado na ideia de que há países produtores e há países consumidores em massa.
E há um mercado muito forte que precisa também ser coibido. Então, o que é muito importante é criar grupos de gestão institucional. Como existe na fronteira de Foz do Iguaçu um grupo de gestão institucional de segurança, deve haver uma em toda a fronteira do Sudoeste, lá em Barracão, em Santo Antônio do Sudoeste, mas deve haver também em Guaíra, como tem que haver lá em Paranaguá, que hoje é uma das cidades mais violentas do Brasil, parece que é uma das dez mais violentas do Brasil.
E tem que haver também na capital do Estado, tem que haver também em Ponta Grossa, tem que haver também em Guarapuava, tem que haver em Prato Branco, em Beltrão, e também em Londrina, em Maringá, em Umuarama, em Foz do Iguaçu, sobremaneira, quanto mais pudermos usar a tecnologia, é melhor para todos nós. Quanto mais pudermos ter muralhas digitais, como a que fiz em Curitiba, inclusive com leitura facial, com os sistemas de apropriação dos cadastros da segurança pública por instrumentos externos ao sistema oficial de segurança pública, nós podemos chegar a uma medida de virtude de tornar o Paraná cada vez mais seguro.
Mas isso passa também por um efetivo de polícia que tenha um gatilho, que quando diminui, por exemplo, de 15 mil policiais militares necessários, já imediatamente o governo abre um concurso para a gente não ficar nem um dia sem os policiais necessários. Hoje há uma defasagem de policiais necessários. Todos os governos, quando são eficientes, contratam muitos policiais.
Eu me lembro que o ex-governador Beto Richa me disse outro dia que ele autorizou 3 mil policiais. O senador Álvaro Dias, quando governador, autorizou outros tantos mil. Hoje está faltando policiais no Paraná.
Não cumpre o número que é exigido pelos dispositivos formais dos protocolos das Nações Unidas. Por mais que tenha bem feito o governo Ratinho comprando viaturas, comprando armamentos, comprando inteligência, comprando sistemas de informática, mas ainda falta muito para fazer. E eu lhes asseguro, a muralha digital de Curitiba, da prefeitura de Curitiba, que é a minha, é muito melhor do que a do Hudson, lá no governo estadual.
É muito mais forte a acuidade do sistema de segurança, que serve também à polícia militar e que serve também à polícia civil, a de Curitiba e da Grande Curitiba, do que a do Estado inteiro.
Diário do Sudoeste: Para finalizar, um recado aos eleitores do Sudoeste do Paraná
Rafael Greca: Temos muito para fazer. Agora quero lhes dizer o seguinte. Nada contra o Ratinho.
Bem-aventurado e bendito seja o Ratinho. Termina o governo muito bem. É o mais popular do sul do mundo.
Deus o abençoe. Mas eu tenho certeza, tenho a ambição do juramento dos homens públicos de Atenas. Eu hei de fazer o Paraná, depois que eu tiver governado, melhor, mais bonito, mais justo e muito mais eficiente do que receberei do meu antecessor. Muito obrigado.
Fonte: diariodosudoeste.com.br












