Obras e simulados preparam cidades para o El Niño

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Governo concentra recursos em prevenção após previsão de aumento das chuvas, sobretudo no Oeste e Sudoeste

O Governo do Paraná intensificou simulados, obras e repasses aos municípios após a confirmação do retorno do El Niño no segundo semestre de 2026. A preparação busca reduzir os impactos do aumento das chuvas, previsto principalmente para a primavera e para as regiões Oeste e Sudoeste do Estado.

A mobilização reúne ações de prevenção, planejamento, infraestrutura e resposta a eventos climáticos extremos. O trabalho envolve diferentes órgãos estaduais e amplia uma estratégia adotada pelo Estado desde 2019.

Por meio do Instituto Água e Terra, o Governo do Estado coordena mais de R$ 840 milhões em obras e projetos de contenção de cheias, drenagem urbana, controle de erosão, recuperação ambiental e segurança hídrica.

Nos últimos sete meses, o Paraná também destinou R$ 17,9 milhões do Fundo Estadual para Calamidades Públicas para intervenções preventivas em Londrina, Guaratuba, Espigão Alto do Iguaçu e Perobal.

Os recursos são aplicados principalmente na construção de pontes e de sistemas de drenagem voltados à redução dos impactos de enxurradas e inundações.

Municípios atualizam planos de contingência

A Coordenadoria Estadual da Defesa Civil intensificou as medidas preventivas no início do ano, antes mesmo da confirmação oficial do retorno do El Niño.

Os 399 municípios paranaenses receberam orientações para atualizar os Planos de Contingência e reforçar medidas contra inundações, alagamentos, enxurradas, tempestades e deslizamentos.

A Defesa Civil também promoveu reuniões com associações de prefeitos, gestores de barragens e secretarias estaduais. O objetivo foi alinhar estratégias e fortalecer a integração entre os órgãos responsáveis pela prevenção e pela resposta a desastres.

Obras emergenciais ganham agilidade

O Instituto Água e Terra regulamentou neste ano a dispensa de licenciamento ambiental para obras emergenciais de prevenção, resposta e recuperação de desastres naturais.

A norma permite acelerar intervenções em situações de risco iminente, diante de previsões oficiais de eventos climáticos severos ou em municípios com decretos de emergência ou calamidade pública.

A dispensa contempla obras de contenção de encostas, limpeza e desassoreamento de rios, drenagem, reconstrução de pontes, recuperação de vias e restabelecimento dos sistemas de água, energia e saneamento.

Mesmo sem a exigência inicial do licenciamento, as obras permanecem sujeitas a critérios técnicos, acompanhamento de profissionais habilitados e regularização posterior, quando necessária.

Defesa Civil promove simulados presenciais e online

O Litoral recebeu atenção especial por causa do histórico de ocorrências provocadas por chuvas intensas.

Moradores de áreas de risco de Morretes e Antonina participaram de simulados de desastres. As atividades permitiram revisar procedimentos de evacuação, atendimento à população e funcionamento da estrutura de resposta.

A preparação também ocorre em ambiente virtual. Desde este mês, a Defesa Civil promove simulados de mesa divididos por regiões do Paraná.

Até o fim de agosto, serão realizados cinco encontros online. Servidores estaduais e municipais enfrentam cenários simulados de eventos extremos para revisar protocolos e aperfeiçoar decisões.

O Paraná conta atualmente com 1.353 abrigos ativos para receber pessoas desalojadas em situações de desastre.

Obra de R$ 58 milhões protege Francisco Beltrão

Francisco Beltrão, no Sudoeste, recebeu uma das principais obras estaduais de contenção de cheias.

O Governo do Estado concluiu um sistema de R$ 58 milhões para reduzir as enchentes do Rio Marrecas. A estrutura inclui um túnel de 1,2 quilômetro, que desvia parte do fluxo durante períodos de chuva intensa.

O sistema já foi utilizado em um episódio com mais de 220 milímetros de chuva em apenas 30 horas.

Segundo as informações divulgadas, a estrutura evitou uma enchente de grandes proporções. Em situações semelhantes registradas anteriormente, centenas de famílias chegaram a deixar suas casas. Nesse episódio, dez residências foram afetadas.

Vale do Iguaçu pode receber R$ 1,3 bilhão

Outra iniciativa está concentrada no Vale do Iguaçu. O Estado apresentou um anteprojeto de engenharia para obras estimadas em R$ 1,3 bilhão destinadas a reduzir as cheias históricas do Rio Iguaçu em União da Vitória.

A primeira etapa tem investimento estimado em R$ 497,7 milhões.

A proposta reúne 20 intervenções, entre escavações, dragagens, retificação de trechos do rio, construção de canais, túneis e diques de proteção.

Os estudos indicam que o conjunto de obras poderá reduzir em até 2,7 metros o nível das enchentes na região.

El Niño deve elevar chuva no Oeste e Sudoeste
Frente fria traz chuva a todo o Paraná no fim de semana

Drenagem urbana recebe novos investimentos

O Instituto Água e Terra apoia municípios por meio de convênios para obras de drenagem urbana e melhoria do escoamento da água da chuva.

Há intervenções em andamento ou concluídas em cidades da Região Metropolitana de Curitiba, como Pinhais, Colombo e Fazenda Rio Grande.

O Programa de Ressocialização e Combate à Erosão Urbana também integra essa estratégia. O Proceu soma R$ 164,7 milhões em investimentos e reúne 158 intervenções em diferentes regiões.

Desse total, 134 obras foram concluídas em 112 municípios.

No Noroeste, os investimentos priorizam áreas com solo do Arenito Caiuá, mais suscetíveis à erosão provocada por chuvas intensas.

As ações incluem o manejo da água pluvial para reduzir processos erosivos e preservar a infraestrutura rural.

Litoral amplia capacidade de escoamento

No Litoral, o Estado atua com os municípios na limpeza e no desassoreamento de canais de macrodrenagem.

O trabalho busca aumentar a capacidade de escoamento em Antonina, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Paranaguá, Pontal do Paraná e Guaraqueçaba.

As obras de recuperação e requalificação das orlas de Matinhos, Pontal do Paraná, Guaratuba e Paranaguá também incluem melhorias nos sistemas de drenagem.

A estratégia combina revitalização urbana e medidas para ampliar a resistência das cidades aos eventos climáticos extremos causados pelo El Niño.

Parques urbanos ajudam na drenagem

Desde 2019, o Governo do Estado firmou 74 convênios para a implantação de parques urbanos, com investimentos superiores a R$ 120,8 milhões.

Ao todo, 51 espaços foram concluídos, enquanto outras obras permanecem em execução.

Os parques são instalados principalmente em fundos de vale e áreas ambientalmente sensíveis. As estruturas ajudam a reduzir a erosão, preservar recursos hídricos, ampliar áreas permeáveis e melhorar a drenagem natural.

Programa amplia segurança hídrica

O planejamento estadual também considera a possibilidade de períodos prolongados de estiagem provocados pelas mudanças climáticas.

O programa Água no Campo, coordenado pelo Instituto Água e Terra, atua na perfuração de poços para ampliar o abastecimento de comunidades rurais.

Entre 2019 e 2025, a iniciativa perfurou 785 poços tubulares em 220 municípios paranaenses.

Neste ano, outros 37 poços foram executados em 14 municípios. Novas perfurações estão previstas para ampliar a segurança hídrica de famílias que vivem em áreas sujeitas à escassez de água.

Fonte: diariodosudoeste.com.br


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