A pecuária do Paraná pode ampliar negócios internacionais após a Rússia reconhecer o Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação. A decisão abre novos caminhos comerciais para as proteínas animais produzidas no Estado.
O avanço ocorre em um mês importante para a pecuária brasileira. No início de junho, a China também oficializou o reconhecimento do Brasil com o mesmo status sanitário.
Para o Sistema FAEP, as decisões representam uma conquista construída ao longo de décadas de investimento em defesa agropecuária. Além disso, reforçam a credibilidade da produção nacional no mercado internacional.
Paraná já tinha certificação desde 2021
O Paraná já possui reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação desde maio de 2021. Na ocasião, o Estado recebeu a certificação da Organização Mundial de Saúde Animal.
Em maio de 2025, a OMSA ampliou o reconhecimento para todo o território brasileiro. Com isso, o país passou a ter uma condição sanitária mais favorável para negociar com mercados estratégicos.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o novo cenário fortalece a imagem do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais.
“Esse reconhecimento é resultado de um trabalho conjunto de produtores, entidades do setor e dos órgãos de defesa sanitária. O Paraná se antecipou e já demonstrava há anos sua capacidade de manter um rebanho seguro e com alto padrão sanitário”, destacou.
Produtores podem ter novas oportunidades
De acordo com Meneguette, o reconhecimento de mercados como China e Rússia pode gerar novas oportunidades para os produtores paranaenses. A expectativa é de melhora nas condições de acesso dos produtos brasileiros ao comércio internacional.
“Agora, com o reconhecimento de mercados estratégicos como China e Rússia, o Brasil fortalece ainda mais sua imagem como fornecedor confiável de proteínas animais, o que pode se traduzir em novas oportunidades para os nossos produtores”, afirmou.
Com maior abertura sanitária, a demanda por proteínas animais brasileiras pode crescer. Para o Paraná, isso representa potencial de expansão para frigoríficos exportadores instalados no Estado.
Medida pode refletir no mercado interno
O novo status sanitário também pode ter reflexos no mercado interno. Entre os possíveis efeitos estão a sustentação ou valorização dos preços do boi gordo, especialmente em um cenário de aumento das exportações.
Além disso, o movimento pode impactar positivamente o mercado de reposição. Bezerros e garrotes tendem a ser beneficiados quando há maior demanda na cadeia pecuária.
O reconhecimento sanitário não significa abertura automática de todos os mercados, mas melhora as condições de negociação. Dessa forma, amplia a competitividade dos produtos brasileiros.
China é principal destino da carne bovina
A China é atualmente o principal destino das exportações paranaenses de carne bovina. Em 2025, o Paraná embarcou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para o país asiático.
Essas vendas movimentaram US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado.
Com o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação, o mercado chinês tende a seguir como estratégico para a pecuária nacional e paranaense.
Rússia é alternativa estratégica
Embora hoje tenha menor participação nas exportações de carne bovina do Paraná, a Rússia é considerada uma alternativa estratégica. O reconhecimento sanitário pode favorecer a retomada ou ampliação de negócios com o país.
Em 2025, as exportações paranaenses de proteínas para a Rússia se concentraram principalmente na carne de frango. Foram embarcadas 11,3 mil toneladas, com faturamento de US$ 25 milhões.
Para o técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, Fábio Peixoto Mezzadri, a Rússia já foi um mercado relevante para a carne bovina paranaense.
“Antigamente, o comércio entre o Paraná e a Rússia era mais significativo na carne bovina. Contudo, o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação abre muitos caminhos comerciais, demonstrando a solidez e a eficiência do nosso sistema sanitário”, afirmou.
Exportações para a Rússia perderam força
Entre 2020 e 2023, o comércio de carne bovina congelada entre o Paraná e a Rússia movimentou US$ 27,2 milhões. No período, foram embarcadas 7,2 mil toneladas do produto.
A partir de 2024, no entanto, não houve registros significativos de exportações paranaenses desse segmento para o mercado russo. Por isso, o novo reconhecimento pode representar uma oportunidade de retomada.
Segundo Mezzadri, o fortalecimento da confiança sanitária ocorre em um momento importante para a diversificação de mercados internacionais.
Diversificação ganha importância no comércio global
O técnico do Sistema FAEP avalia que o Brasil e o Paraná contam com grandes compradores de proteínas animais, como a China. No entanto, o cenário internacional exige atenção por causa de instabilidades políticas e comerciais.
Entre os fatores citados estão tarifaços dos Estados Unidos, medidas de salvaguarda da China e ameaças de restrições no mercado europeu. Diante disso, a abertura de novos mercados passa a ser ainda mais importante.
“Diante disso, não podemos perder a chance de conquistar novos mercados, potenciais compradores da nossa produção pecuária”, concluiu Mezzadri.
Para o setor produtivo, o reconhecimento sanitário pela Rússia reforça o posicionamento do Brasil no comércio global de proteínas animais e pode ampliar as perspectivas para a pecuária paranaense nos próximos anos.
Fonte: diariodosudoeste.com.br











