Terceira edição terá concurso inédito de queijo colonial
O Sistema FAEP lançou, nesta terça-feira (23), a terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná, que chega em 2027 com uma novidade: o Concurso Queijo Colonial do Paraná. As inscrições para as duas iniciativas estão abertas até 1º de maio de 2027, pelo site do Sistema FAEP.
O objetivo é reconhecer, valorizar e dar visibilidade ao trabalho de produtores rurais, queijarias e laticínios paranaenses. Além disso, a premiação busca fortalecer a cadeia produtiva do leite e dos queijos no Estado, ampliando oportunidades de renda e agregação de valor no campo.
A expectativa para esta edição é superar a marca de 600 participantes. Na primeira edição, realizada em 2022, o prêmio registrou 291 inscrições. Já na segunda, o número subiu para 477 participantes.
Prêmio reúne entidades e instituições parceiras
O Prêmio Queijos do Paraná é promovido por um comitê gestor formado pelo Sistema FAEP, Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite/PR), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PR), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac/PR) e Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR).
Além disso, a iniciativa conta com o apoio de outras 48 instituições. Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a premiação nasceu da necessidade de agregar valor à produção leiteira e ampliar as oportunidades para as famílias rurais.
“Essa iniciativa surgiu do sonho de fortalecer a cadeia produtiva do leite, que está presente em todos os municípios paranaenses, agregando valor à produção rural, promovendo a diversificação das atividades e gerando mais renda para as famílias do campo”, afirmou.
De acordo com Meneguette, o crescimento da premiação demonstra a força da cadeia produtiva e o potencial dos queijos produzidos no Paraná.
“O Sistema FAEP, juntamente a todas as entidades parceiras, trabalha para fortalecer os produtores rurais, ampliar as oportunidades de diversificação, gerar renda, riqueza e criar novos caminhos para o desenvolvimento da agropecuária paranaense”, destacou.
Cadeia do leite é estratégica para o Paraná
O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com produção diária de aproximadamente 13,5 milhões de litros. Desse total, cerca de 6 milhões de litros são destinados à fabricação de queijos, atividade que agrega valor à matéria-prima e fortalece a economia rural.
Durante o lançamento, o vice-governador Darci Piana destacou que o avanço da qualidade dos queijos paranaenses resulta do trabalho conjunto entre produtores, cooperativas, entidades e instituições.
“Graças a essa união, o leite e os queijos do Paraná alcançaram um elevado padrão de qualidade. Hoje já exportamos nossos produtos e temos potencial para ampliar ainda mais nossa presença em outros mercados”, afirmou.
O secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, também reforçou a importância econômica da atividade leiteira. Segundo ele, mesmo diante de dificuldades e preços desfavoráveis, as propriedades rurais paranaenses faturaram mais de R$ 12 bilhões com a atividade no ano passado.
“Hoje, o leite é o quarto produto que mais gera valor dentro das propriedades rurais do Estado”, destacou Ortigara.
Projeto envolve capacitação e acesso a mercados
Além da premiação, o projeto envolve ações permanentes de capacitação e desenvolvimento ao longo de todo o ciclo produtivo. As atividades atendem produtores rurais, agroindústrias, queijarias artesanais e profissionais da cadeia leiteira.
Segundo o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta, o apoio aos produtores ocorre durante todo o ano, com ações voltadas à qualificação, gestão e acesso a mercados.
“Enquanto nos preparamos para a próxima edição, que acontecerá em junho de 2027, seguimos apoiando produtores de leite e fabricantes de queijo para que possam aprimorar seus produtos, aperfeiçoar seus processos e alcançar resultados cada vez melhores. Atualmente, o Sebrae desenvolve sete projetos voltados à cadeia produtiva dos queijos em diferentes regiões do Paraná, com ações de consultoria, capacitação e acesso a mercados”, afirmou.
Para o diretor-presidente do IDR/Paraná, Altair Dorigo, a premiação tem contribuído para ampliar a visibilidade dos produtos paranaenses dentro e fora do Estado.
“Os nossos produtos já estão ultrapassando as fronteiras do Paraná. Temos produtores sendo reconhecidos e premiados em eventos nacionais e internacionais, demonstrando a qualidade dos queijos produzidos em nosso Estado. O papel do IDR é apoiar esse desenvolvimento, levando assistência técnica, conhecimento e inovação para que os produtores possam melhorar sua renda e sua qualidade de vida”, comentou.
Setor vê potencial de crescimento nos queijos paranaenses
Representando a indústria de laticínios, o presidente do Sindileite Paraná, Elias José Zydek, destacou a relevância da cadeia leiteira para a economia estadual. Além disso, ele ressaltou o potencial de expansão do setor.
“Somos o segundo maior produtor de leite do país e contamos com mais de 300 estabelecimentos produtores de queijo. Com organização, planejamento e trabalho conjunto, seremos capazes de produzir um queijo cada vez melhor e mais competitivo. O desafio é fortalecer toda a cadeia produtiva e ampliar nossa presença em novos mercados”, afirmou.
A gastronomia também integra a estratégia de valorização. Segundo o diretor regional do Senac Paraná, Sidnei Lopes de Oliveira, a instituição vem incorporando os queijos premiados e produtos com Indicação Geográfica às atividades de formação profissional.
“Temos procurado incorporar cada vez mais em nossos ambientes de ensino os produtos com Indicação Geográfica (IG) e, especialmente, os queijos premiados do Paraná, para que empresários, alunos e profissionais aprendam a utilizá-los e valorizá-los em suas atividades. O Senac seguirá apoiando essa iniciativa com workshops, festivais gastronômicos e ações de capacitação voltadas aos produtores, queijeiros e profissionais do setor”, disse.
Curitiba é elo entre produção e consumidor
Sede do lançamento da terceira edição do prêmio, Curitiba também foi destacada como um elo estratégico entre a produção rural e o consumidor final. Segundo o secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Leverci Silveira Filho, a capital e a Região Metropolitana representam um grande mercado consumidor.
“Curitiba tem um papel estratégico nesse processo. Juntamente com a Região Metropolitana, reunimos cerca de 4 milhões de consumidores que buscam produtos de qualidade. Nosso desafio é aproximar cada vez mais o setor produtivo da população, conectando os produtores ao consumidor final e valorizando aquilo que é produzido no Paraná”, destacou.
Produtores relatam transformação após premiação
O lançamento contou com a participação dos dez produtores premiados com Super Ouro na edição anterior. Entre eles estava Josef Ferdinand Lotscher, do Ateliê Lotschental, de Palmeira.
Queijeiro de origem suíça, Lotscher atribui parte do crescimento da produção à visibilidade conquistada com o prêmio.
“Hoje recebo pedidos de várias regiões do Brasil. O meu ateliê começou como um espaço para experimentação, mas a demanda cresceu tanto que já estamos planejando novos investimentos”, relatou.
Outra produtora presente foi Elis Carla Colombi, da Produtos Elis, de Diamante d’Oeste. Ela ficou entre os dez melhores queijos do Paraná nas duas primeiras edições do concurso.
“Para o produtor, é uma oportunidade de ganhar visibilidade e enxergar novas oportunidades. O prêmio abre portas, incentiva a inovação e mostra o potencial que temos no Paraná”, destacou.
Concurso vai eleger o melhor queijo colonial do Estado
A principal novidade da terceira edição será o Concurso Queijo Colonial do Paraná. A iniciativa será voltada exclusivamente à valorização de um dos produtos mais tradicionais da cultura alimentar paranaense.
O concurso busca reconhecer produtores rurais, agroindústrias familiares, queijarias e laticínios que mantêm viva a tradição do queijo colonial no Estado. Além dos aspectos sensoriais, a avaliação considerará a versatilidade culinária e a história por trás de cada produto.
Neste sentido, o regulamento valoriza elementos como tradição familiar, sucessão rural e identidade cultural das comunidades produtoras. Os três melhores queijos coloniais do Paraná receberão troféus, certificados e uma viagem técnica.
Premiação terá 21 categorias
A terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná reunirá queijos produzidos com leite de vaca, cabra, ovelha e búfala. Além disso, haverá uma categoria especial para criações autorais e produtos que não se enquadram nas classificações tradicionais.
A fase final e a cerimônia de premiação estão marcadas para os dias 2 e 3 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. A programação incluirá palestras técnicas, minicursos, mesas-redondas e harmonizações gastronômicas.
No total, o concurso contempla 21 categorias. Elas abrangem queijos frescos, coloniais, minas, parmesão, gorgonzola, muçarela, burrata, provolone, queijo de coalho e produtos elaborados com diferentes técnicas de maturação e fabricação.
Avaliação terá três etapas
A avaliação dos queijos ocorrerá em três etapas. Na primeira, todos os produtos serão analisados pelos jurados. Em seguida, os dez queijos com melhor desempenho, classificados como Super Ouro, avançarão para uma nova fase.
Na etapa final, um grupo de jurados escolherá os três melhores queijos da edição. As notas variam de zero a 20 pontos. Para conquistar medalha de bronze, o queijo precisa alcançar pelo menos 14 pontos. A medalha de prata exige nota mínima de 16 pontos, enquanto a de ouro exige 18 pontos.
A premiação prevê até 30 medalhas de bronze, 20 de prata, 15 de ouro e 10 medalhas Super Ouro. Além disso, serão escolhidos os três melhores queijos do Paraná.
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Vencedores receberão equipamentos e viagem técnica
Além do reconhecimento técnico, os vencedores receberão certificados, rosetas e equipamentos para auxiliar no aperfeiçoamento da produção. Os produtores premiados com medalha de bronze receberão pHmetro e termômetro.
Já os premiados com medalha de prata receberão uma prensa. Os vencedores da medalha de ouro ganharão balança digital, enquanto os classificados como Super Ouro receberão uma seladora a vácuo.
Os três melhores queijos da edição serão premiados com uma viagem técnica nacional ou internacional, custeada pelo Sistema FAEP, para conhecer experiências de referência no setor queijeiro.
Livro registra a história dos queijos premiados
O lançamento também marcou a apresentação do livro da segunda edição da premiação. A publicação reúne informações sobre os produtores e os queijos premiados com Super Ouro, Ouro, Prata e Bronze, além de registrar a evolução do concurso e o fortalecimento da cadeia produtiva no Estado.
Segundo a coordenadora do Departamento de Projetos e Programas Especiais do Sistema FAEP, Luciana Matsuguma, a obra valoriza e preserva a história construída pelos produtores paranaenses.
“O livro é mais do que um registro dos vencedores. Ele destaca a trajetória de produtores, famílias e queijarias que ajudam a construir a identidade dos queijos paranaenses. É uma forma de reconhecer esse trabalho, preservar essa história e mostrar a evolução da qualidade dos nossos produtos ao longo dos anos”, destacou.
Ronei Volpi recebeu homenagens durante o evento
O evento também teve homenagens ao consultor do Sistema FAEP, Ronei Volpi, idealizador do Prêmio Queijos do Paraná e uma das principais lideranças responsáveis pela consolidação da iniciativa.
Produtor de leite e ex-presidente do Conseleite Paraná, Volpi foi lembrado por autoridades como um dos responsáveis por transformar uma demanda do setor em uma das principais premiações queijeiras do país.
Para ele, o prêmio nasceu da necessidade de dar visibilidade aos produtores e agregar valor à produção leiteira paranaense.
“Desde o início, a proposta foi criar uma ferramenta capaz de valorizar o trabalho dos produtores, incentivar a busca pela qualidade e mostrar ao mercado o potencial dos queijos produzidos no Paraná. O prêmio nasceu de uma demanda do próprio setor e hoje vemos o resultado desse esforço coletivo, com produtores conquistando reconhecimento, ampliando mercados e agregando valor à sua produção”, afirmou Volpi.
Fonte: diariodosudoeste.com.br











