Luli lança álbum de rap caipira ‘Café com Pinga’

Luli lança álbum de rap caipira ‘Café com Pinga’

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A artista paranaense Luli lançou, neste mês de junho, o álbum “Café com Pinga”, trabalho que apresenta uma proposta de rap caipira ao unir sonoridades rurais e referências contemporâneas das cidades. O disco reúne oito faixas e 34 minutos de música.

O projeto mistura elementos típicos do ambiente rural, como orações, coros femininos e o timbre da viola, com recursos ligados à música urbana. Entre eles estão o beat grave e ritmado e o scratch, movimento característico feito por DJs no disco.

O álbum também reflete a trajetória da artista de 28 anos. Luli cresceu na comunidade de Poço Azul, no interior de Barbosa Ferraz, município de 11 mil habitantes no Norte Pioneiro do Paraná, e atualmente divide a rotina entre Londrina e São Paulo.

Projeto busca aproximar gerações

Com “Café com Pinga”, Luli propõe aproximar gerações, linguagens e vivências que, muitas vezes, aparecem afastadas. A artista afirma que sempre buscou reunir diferentes versões de si mesma em um mesmo trabalho.

“Eu sempre quis aproximar todas as versões de mim mesma em uma coisa só. Às vezes, eu sinto que faço coisas diferentes e migro de ‘bolhas’, de ilhas de comunicação com frequência e queria entender qual é o fio que liga todas essas coisas. E esse fio é contar histórias”, resume.

Essa proposta aparece, por exemplo, na faixa “Vó”. A música narra a migração da família de Minas Gerais para o Paraná, combinando viola caipira e hip-hop.

‘Treme Treme’ é a música de trabalho

A música de trabalho do álbum é “Treme Treme”. A faixa conta a história de amor impossível entre a menina rica e o peão pobre, narrativa comum no imaginário do interior do Brasil.

A canção traz referências sonoras aos antigos desafios de trova de viola, conhecidos em alguns lugares como cururu. Além disso, dialoga com o repente e a embolada nordestina, assim como com as batalhas de rima do universo do rap.

Segundo Luli, esses gêneros se aproximam pela forma de contar histórias. Para ela, todos têm começo, meio e fim, além de tratarem temas profundos por meio da oralidade e da musicalidade popular.

“O que tem em comum entre esses gêneros é que são músicas que contam histórias, com começo, meio e fim. Falam sobre temáticas profundas. Tem um lugar na maneira de narrar as histórias, que eu sentia que era muito semelhante”, explica a artista.

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Disco foi aprovado pela Lei Aldir Blanc

Disponível em todas as plataformas de áudio, “Café com Pinga” é resultado de um projeto aprovado em 2025 pela Lei Aldir Blanc. Por isso, o trabalho conta com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.

O álbum também tem recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura do Governo Federal. A iniciativa fortalece a produção artística paranaense e amplia a circulação de trabalhos autorais.

Este é o segundo álbum da cantora. O primeiro single de Luli, chamado “Disparo”, foi lançado em 2021. Em 2024, ela apresentou “Pede Agô”, álbum com dez músicas sobre racismo, gênero, desigualdade e religião.

Artista nasceu em família de agricultores

Multiartista, Luli nasceu em uma família de lavradores e pequenos agricultores de Barbosa Ferraz. Os pais ainda vivem no mesmo sítio da família e trabalham com produção de laticínios no município.

O som da roça marcou a formação musical da artista. A viola caipira e o sertanejo fazem parte do ambiente agrícola onde ela cresceu e continuam presentes na memória afetiva da cantora.

Além disso, a musicalidade de Luli foi formada por gêneros ligados à cultura rural brasileira, como forró, xote, vanerão gaúcho e marchinhas.

Rap chegou na adolescência

Durante a adolescência, Luli conheceu o rap por indicação de parentes e por pesquisas feitas na internet. A partir daí, passou a incorporar novas referências musicais à própria trajetória.

A formação em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina ampliou ainda mais esse repertório. No ambiente universitário, a artista teve contato com o movimento estudantil e com perspectivas de valorização da cultura preta.

Foi nesse encontro entre a roça e o asfalto que Luli construiu o caminho de “Café com Pinga”. O álbum reúne memória, oralidade, ancestralidade, rap e cultura rural em uma proposta que busca colocar diferentes públicos ao redor da mesma escuta.

Serviço
“Café com Pinga”

Perfil no Instagram: @lulinavoz (https://www.instagram.com/lulinavoz/)

Fonte: diariodosudoeste.com.br


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