O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, entregou nesta quarta-feira, 24 de junho, em Umuarama, ao ministro dos Transportes, George Santoro, o posicionamento do setor produtivo paranaense sobre a nova concessão da Malha Sul ferroviária. O documento foi elaborado em conjunto pelo G7 Paraná e reúne propostas para o modelo em discussão para a futura operação da ferrovia.
O contrato atual da Malha Sul encerra em 2027. Por isso, o Sistema FAEP defende a realização de uma nova licitação, com foco na ampliação da capacidade de transporte, na modernização da infraestrutura ferroviária e na eliminação de gargalos logísticos.
Segundo a entidade, os entraves atuais afetam diretamente a competitividade do Paraná. Além disso, o setor produtivo cobra garantias de que os recursos gerados no Estado sejam reinvestidos na própria malha paranaense.
Nova concessão prevê divisão da Malha Sul
Os estudos apresentados pelo Governo Federal preveem a divisão da Malha Sul em três segmentos: Paraná-Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mercosul. O Sistema FAEP apoia a separação das operações, mas considera inadequado o modelo proposto para a distribuição dos recursos gerados pela concessão.
A proposta em discussão prevê outorga de R$ 8,7 bilhões. No entanto, a entidade afirma que a malha ferroviária do Paraná concentra aproximadamente 78% da carga movimentada por trens.
Apesar desse peso na operação ferroviária, parte significativa dos recursos gerados pela concessão poderia ser usada para financiar investimentos e déficits em outras concessões ferroviárias. Neste sentido, o Sistema FAEP cobra que os valores arrecadados no Paraná retornem em obras no próprio Estado.
“Somos favoráveis à modernização da ferrovia e à nova licitação, mas entendemos que os recursos gerados pelos usuários paranaenses precisam retornar em investimentos para o próprio Paraná. Não é razoável que a região responsável pela maior parte da movimentação de cargas financie gargalos de outras malhas enquanto seus próprios problemas permanecem sem solução”, afirma Meneguette.
Setor produtivo cobra obras prioritárias
Outro ponto de preocupação apresentado pelo Sistema FAEP é a ausência de investimentos considerados estratégicos para ampliar a capacidade do transporte ferroviário no Paraná. Entre as obras prioritárias está a construção de um novo traçado ferroviário na Serra da Esperança, entre Guarapuava, Irati e Lapa.
A entidade também defende a implantação do Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba. Além disso, cobra a ampliação dos pátios de cruzamento, estruturas que permitem aumentar a fluidez do tráfego ferroviário.
De acordo com o Sistema FAEP, os estudos atuais não contemplam essas intervenções de forma adequada. Além disso, a entidade avalia que os cronogramas previstos não acompanham a demanda crescente por transporte de cargas.
“Precisamos de uma concessão que aumente a capacidade operacional da ferrovia. O Paraná produz cada vez mais e necessita de uma infraestrutura logística capaz de acompanhar esse crescimento. Algumas obras consideradas fundamentais aparecem apenas para o 27º ano da concessão, quando deveriam ser tratadas como prioridade”, destaca Meneguette.
Ministro afirma que gargalos serão incluídos
Durante a reunião, George Santoro afirmou que o Governo Federal já reconhece a necessidade de investimentos em dois dos principais gargalos apontados pelo setor produtivo paranaense. Segundo o ministro, o Contorno Ferroviário de Curitiba e as intervenções na Serra da Esperança devem entrar como investimentos obrigatórios no projeto.
“As duas demandas a gente já tinha mapeado e temos clareza de que vamos incluir como um investimento obrigatório no projeto. Então, já estão resolvidas”, afirmou Santoro.
A sinalização foi recebida durante o encontro em Umuarama, onde o Sistema FAEP apresentou as demandas do setor produtivo. Dessa forma, a entidade busca garantir que os pontos considerados essenciais sejam incorporados ao novo modelo de concessão.
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Integração com a Ferroeste também é defendida
Além das obras estruturantes, o documento entregue ao Ministério dos Transportes propõe a integração da Malha Paraná-Santa Catarina com a Ferroeste. A medida busca ampliar a eficiência operacional do sistema ferroviário no Estado.
A integração também fortaleceria a ligação entre as regiões produtoras do Oeste do Paraná e o Porto de Paranaguá. Consequentemente, a proposta pretende reduzir gargalos logísticos e melhorar o escoamento da produção agropecuária e industrial.
Os investimentos previstos, chamados de Capex, somam cerca de R$ 6,8 bilhões. Entre as ações previstas estão a substituição de dormentes e trilhos, além da construção de sete novos pátios ferroviários.
Propostas para a nova Malha Sul
O Sistema FAEP defende que a nova Malha Sul seja objeto de nova licitação, em vez da prorrogação do contrato atual. Além disso, a entidade apoia a divisão da malha em três segmentos independentes.
Entre as propostas também estão a integração da Malha Paraná-Santa Catarina com a Ferroeste e o reinvestimento dos recursos gerados no Paraná em obras dentro do próprio Estado.
O documento ainda aponta a necessidade de construir o novo trecho Guarapuava-Irati-Lapa, na Serra da Esperança, e implantar o Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba. Além disso, a entidade pede a ampliação dos pátios de cruzamento na Serra do Mar.
O setor produtivo também defende um cronograma de investimentos antecipado para eliminar gargalos, garantias que evitem aumento tarifário aos usuários e possibilidade de aportes dos governos estadual e federal para acelerar obras prioritárias.
Entidade vê ferrovia como estratégica para o Paraná
Para o Sistema FAEP, a nova concessão da Malha Sul precisa acompanhar o crescimento da produção paranaense e garantir infraestrutura logística compatível com a demanda do Estado. Além disso, a entidade avalia que a ferrovia tem papel estratégico para a competitividade do setor produtivo.
A discussão ocorre em um momento considerado decisivo, já que o contrato vigente termina em 2027. Portanto, o modelo da futura concessão deverá definir os investimentos, a capacidade operacional e as condições de transporte ferroviário para os próximos anos.
Com o documento entregue ao Ministério dos Transportes, o Sistema FAEP busca incluir as demandas do Paraná no processo de construção da nova concessão. A entidade afirma que a modernização da Malha Sul deve priorizar a solução dos gargalos existentes no Estado e garantir retorno direto aos usuários paranaenses.
Fonte: diariodosudoeste.com.br












