Clevelândia se prepara para celebrar, no próximo domingo, dia 28 de junho, os 134 anos de emancipação política. Reconhecida como “Mãe do Sudoeste”, a cidade foi instalada oficialmente em 1892 e hoje reúne pouco mais de 15 mil habitantes em uma região de fronteira com Santa Catarina, no extremo sul do Paraná.
A data remete a uma disputa diplomática internacional, à passagem de tropas revolucionárias e à formação de boa parte dos municípios que hoje compõem o Sudoeste paranaense. Veja a seguir a trajetória histórica, política e econômica de Clevelândia.
A arbitragem que deu nome à cidade
A origem do nome de Clevelândia remonta a uma disputa diplomática entre Brasil e Argentina pela posse dos Campos de Palmas, território que incluía a região onde a cidade se formaria. Em 1895, o então presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland, atuou como árbitro internacional na chamada Questão de Palmas e decidiu o litígio em favor do Brasil.
Em homenagem ao mediador americano, a vila que surgia naquela região recebeu o nome de Clevelândia, oficializado pela Lei estadual nº 862, de 29 de março de 1909. Antes disso, contudo, o povoado já havia sido elevado à condição de vila pela Lei nº 28, de 28 de junho de 1892 — data que o município adota oficialmente como marco de sua fundação e instalação administrativa.
Dos campos de Palmas à formação do povoado
O povoamento da região remonta a 1839, quando bandeiras lideradas por Joaquim Ferreira dos Santos e Pedro de Siqueira Cortês partiram de Guarapuava e alcançaram os Campos de Palmas. A disputa entre os dois grupos pela posse das terras exigiu a intervenção de árbitros enviados de Curitiba, que dividiram a área em 1840.
Posteriormente, durante a Guerra do Paraguai, o governo brasileiro destacou uma força da Guarda Nacional para guarnecer a fronteira. Os alojamentos provisórios das tropas, com o tempo, transformaram-se em habitações permanentes e deram origem ao arraial que se tornaria a freguesia de Bela Vista de Palmas, criada pela Lei Provincial nº 789, de 16 de outubro de 1884.
Segundo o histórico oficial do município, os primeiros povoadores reconhecidos foram Hermógenes Carneiro Lobo, Manoel Ferreira Bello e José de Lima Pacheco. Eram descendentes de portugueses e indígenas, somando-se depois colonos vindos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além de madeireiros de diferentes estados do Brasil.
Território Federal do Iguaçu e a “Mãe do Sudoeste”
Em 1943, durante o Estado Novo, o governo federal criou o Território Federal do Iguaçu, e Clevelândia passou a integrar essa unidade administrativa junto a outros municípios da fronteira sul. O território foi extinto em 1946, quando a cidade voltou a pertencer ao Estado do Paraná.
Clevelândia também deu origem a parte significativa do mapa atual do Sudoeste paranaense. Em 1947, o município criou o distrito judiciário de Bom Retiro, que se tornaria Pato Branco, elevado à categoria de município em 1951. Já em 1960, Clevelândia perdeu os distritos de Vitorino e Mariópolis, desmembrados para formar novos municípios.
O resumo dessa trajetória define Clevelândia como “Mãe do Sudoeste”, lembrando que Santo Antônio do Sudoeste e Francisco Beltrão também surgiram de terras que pertenceram ao município.
Geografia, clima e economia da região
Localizada no terceiro planalto paranaense, a 400 quilômetros de Curitiba, Clevelândia tem área de aproximadamente 704 quilômetros quadrados e altitude de 950 metros. O clima é considerado frio para os padrões brasileiros, com temperatura média de 10°C no inverno e geadas frequentes.
A economia local é puxada principalmente pelo agronegócio, com destaque para soja, milho, trigo e erva-mate, além da pecuária. O município é apontado como pioneiro na criação do gado da raça Charolês no Paraná. A rede hidrográfica, formada por rios como o Chopim, o São Francisco e o Pato Branco, também sustenta usinas hidrelétricas de pequeno porte.
Conforme o IBGE, o Produto Interno Bruto per capita de Clevelândia foi de R$ 60.754,81 em 2023. A população, de origem inicialmente indígena, portuguesa e gaúcha, recebeu depois forte presença de imigrantes italianos, além de famílias alemãs, polonesas, turcas e espanholas, o que hoje se reflete na diversidade cultural dos bairros e distritos do município.
Quem já governou a “Mãe do Sudoeste”
Desde sua emancipação, em 1892, Clevelândia já teve 37 mandatos administrativos, começando por Diogo de Siqueira Bello, primeiro prefeito do município. Rafaela Martins Losi, eleita em 2020 e reeleita em 2024 para o mandato 2025-2028, é a primeira mulher a comandar o Executivo municipal em toda a história da cidade, segundo o histórico oficial da Prefeitura.
Clevelândia também é sede de comarca, condição obtida pela Lei estadual nº 2.489, de 6 de abril de 1927, e está dividida atualmente em três distritos: a sede, Coronel Firmino Martins e São Francisco de Sales.
Curiosidade: duas Clevelândias na história do Brasil
Engana-se quem associa Clevelândia, no Paraná, à colônia penal que recebeu presos políticos na década de 1920. Aquele episódio ocorreu em Clevelândia do Norte, distrito do município de Oiapoque, no extremo norte do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa.
As duas localidades carregam o mesmo nome por uma coincidência histórica: ambas foram batizadas em homenagem ao presidente americano Grover Cleveland, árbitro em disputas de fronteira distintas, uma no Sul e outra no Norte do país. Não há, porém, qualquer vínculo histórico ou administrativo entre a cidade paranaense e o distrito amapaense.
Tradição tropeira ainda viva na cidade
Parte da identidade cultural de Clevelândia segue ligada à tradição dos tropeiros, grupos que conduziam tropas de gado e mulas pelos antigos caminhos que ligavam o Rio Grande do Sul a São Paulo, atravessando os Campos de Palmas.
Fonte: diariodosudoeste.com.br











