Reunião na Câmara debate déficit no transporte coletivo

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O desequilíbrio econômico-financeiro na operação do transporte coletivo urbano de Pato Branco, em meio a pandemia da covid-19, que resultou na redução no número de usuários, ao mesmo tempo em que foram necessárias adequações de itinerários, voltou a ser debatido pelo consórcio que administra o serviço, câmara temática do Departamento Municipal de Trânsito (Depatran), representantes do Executivo e Legislativo, em encontro nessa terça-feira (31).

Para o presidente da Câmara Municipal de Pato Branco, onde ocorreu a reunião, Joecir Bernardi (PSD), o encontro com todos os entes envolvidos, foi organizado pela Casa, com o objetivo de um entendimento entre as partes “Ao final, ficou acordado que o Executivo e o Consórcio irão se reunir, novamente, para alinhar o valor a ser pago, juntamente, com a forma de pagamento e, para o Legislativo, cabe a incumbência de receber e apreciar os Projetos que serão enviados na sequência, em busca da solução efetiva do problema, para que o serviço continue sendo ofertado para o cidadão pato-branquense”, informou o presidente da Câmara.

Adair Casagrande, que representa o departamento jurídico do Consórcio Tupã, afirma que há uma defasagem do número de passageiros transportados e a arrecadação. “Caso não seja tomada uma medida, essa defasagem vai gerar um passivo muito grande para o Município”, pontuou ele, falando que o encontro serviu como uma forma de esclarecimento aos vereadores, com relação as propostas que serão encaminhadas pelo Executivo ao Legislativo.

A proposta defendida pelo Consórcio, para que se tenha o início do equilíbrio econômico, leva em conta o aumento da idade média da frota; um possível reajuste tarifário “porque a tarifa já está há praticamente dois anos”, segundo Casagrande. Ele também pontuou quanto a criação de um fundo, que por meio de licitação explore os pontos e parte traseira do ônibus, para arrecadação de recursos, uma vez que estes seriam destinados ao fundo, ficando a disposição para um custo menor da tarifa.

Casagrande afirma acreditar que o Município também deve apresentar uma proposta para o pagamento do aporte feito pelo consórcio quando da licitação do transporte público, por meio da outorga, e que não foi arrecadado de agosto de 2020 até agora, devido a pandemia e que supera R$ 4 milhões.

Tarifa pode subir

Mensalmente a câmara técnica do Depatran que cuida do transporte coletivo de Pato Branco, realiza o levantamento da chamada tarifa técnica, que nada mais é do que a soma de todos os custos de manutenção do serviço, dissolvido pelos usuários do mês.

De acordo com o fechamento de julho deste ano, a planilha de custo, frente a aproximadamente 184 mil transportes de passageiros realizados no mês, resultou em um valor tarifário de R$ 5,37, ou seja, R$ 1,87 acima do valor praticado atualmente. Isso nao implica em dizer que este valor será estimado, e que seria o necessario para amortizar os custos, seja posto em prática.

A fiscal do transporte coletivo, Zuziane Rigo uma série de fatores contribuíram para o valor tarifário ter elevado, mesmo que este montante não seja apresentado ao consumidor.

Ela elenca as altas do preço do combustível, a pandemia e as medidas adotadas que restringiram a circulação de pessoas e que no caso de Pato Branco até recentemente limitavam a ocupação dos veículos em 70%.

Zuziane afirma que o objetivo do Município é estancar o déficit existente e acertar os valores anteriores.

No momento a redução de linhas não é considerada uma possibilidade diante da atual situação, contudo, a não é descarta a limitação de horários, para assim “otimizar” o serviço, nos horários de menor demanda.

Guilherme Ambrosini, chefe do setor do Transporte Público a tarifa de R$ 5,27 seria para equilibrar o déficit existente. “Como não teve o aumento nos últimos anos, continuou sempre o mesmo valor de R$ 3,50, um dos motivos que gerou esse déficit também”, ou seja, pelo cálculo da câmara técnica, para dar o equilíbrio a população deveria estar pagando para dispor do transporte público R$ 5,37.

Ambrosini afirma que baixar o valor tarifário “não tem como”, ao mesmo tempo em que levando em consideração “os cálculos é possível que suba sim”.

Ainda segundo ele, o reajuste tarifário pode acontecer ainda em 2021.


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