Pandemia reflete nos lucros de produtores de maçã em Palmas

Pandemia reflete nos lucros de produtores de maçã em Palmas

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Mesmo com uma fruta de boa qualidade, produtores devem receber cerca de R$ 30 pela caixa com 18 kg, enquanto que em 2020 recebiam R$ 50

Após ter passado o ano de 2020 praticamente ileso dos reflexos econômicos causados pela pandemia, o setor da produção de maçã em Palmas sentiu os impactos da covid-19 neste ano.

Com uma comercialização bem abaixo do esperado, o lucro do produtor caiu em cerca de 40% nesta safra, em relação à anterior — em 2020 o agricultor recebia em média R$ 50 por uma caixa com 18 kg da fruta, neste ano o valor é de R$ 30, aproximadamente.

De acordo com o produtor e diretor técnico da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), Ivanir Leopoldo Dalanhol, o ideal seria que o setor conseguisse alcançar um lucro de pelo menos R$ 45 por caixa. Segundo ele, o valor não traria uma boa margem de lucros mas evitaria grandes prejuízos para o setor. “Nossa esperança é que os preços melhorem no decorrer da comercialização, que vai até agosto/setembro”, disse.

“Se o mercado mudar, em função da pandemia, e o pessoal começar a trabalhar, passam a ir mais nos supermercados para comprar. E isso, vai aquecer um pouco a comercialização e os preços passam a melhorar porque diminui a oferta e aumenta a procura.”

Dalanhol disse ainda que a esperança é que o Governo Federal invista nos auxílios emergenciais como fez em 2020. Como ele explica, no ano passado, os produtores de maçã não sentiram o reflexo porque as pessoas, mesmo desempregadas, tinham poder aquisitivo, mesmo que mínimo. Agora, a expectativa é que logo mude o cenário e os consumidores voltem a comprar e trabalhar. “Depende muito do que vai acontecer para frente na pandemia, que é uma incógnita.” 

Outra situação que contribuiu ainda mais para a queda nos preços repassados aos produtores neste ano, foi o aumento na safra da fruta. Em 2020 foram produzidas 980 mil toneladas em todo Brasil e neste ano a previsão é de 1,3 milhão de toneladas. “Isso significa que tem uma oferta muito maior, e como está muito fechado a questão dos mercados, a procura é menor. Por isso que os preços estão nesses patamares”, explica.   

Produção da maçã no município

Para a safra de 2021 a previsão é de que sejam colhidas 13 mil toneladas de maçã. Desse total, cerca de 55 % são da Gala, 40 % Fuji e 5% Eva.

Esses índices apontam que a colheita, iniciada ainda na primeira quinzena de janeiro e que deve seguir até o fim de abril, está indo bem. “Colhemos antes a Eva, agora estamos colhendo a cultivar [variedade] Gala e depois a Fuji.”

Entre as variedades, a Eva já foi toda vendida. No momento, já se comercializou grande parte da cultivar Gala e iniciou a venda da Fuji. A previsão é que a negociação se estenda até setembro.

Em relação à safra passada, os produtores de Palmas devem colher cerca de 5% a menos, porém com um calibre e qualidade da fruta melhor que o ano passado. Dalanhol explica que o clima contribuiu em alguns aspectos. “Tivemos dois grandes períodos de seca, o que facilitou os controles fitossanitários. Por outro lado, não atingimos o calibre que poderia ser atingido e com isso ficamos abaixo da expectativa de colheita.”

Movimentação econômica da maçã em Palmas

Mesmo que a margem de lucros dos produtores não aumente até o fim da comercialização da fruta neste ano, espera-se que, pelo menos, R$ 30 milhões, sejam movimentados na economia local — o que corresponde a R$ 77 mil por hectare plantado, conforme Dalanhol.

“Em um pequeno espaço de terra a fruticultura movimenta muito dinheiro, bem diferente das grandes culturas como soja, milho, feijão, etc”, comenta o produtor explicando que “a maçã é uma cultura com muito valor agregado.”

Afinal, a produção vem diminuindo em Palmas?

A produção de maçã não está diminuindo no município. O que  reduziu nos últimos anos é a área plantada. No entanto, com o uso de novas tecnologias a produtividade dos pomares aumentou, o que consequentemente mantém a mesma produção.

Além disso, produtores estão investindo na renovação dos pomares ao plantar clones mais atrativos para o mercado, ou seja, estão buscando novas mutações dentro da mesma variedade de maçã, porém com características diferentes, como melhor aparência dos frutos, melhor coloração, mais resistência a doenças, entre outras qualidades.

Hoje, mesmo com redução da área de cultivo, produtores trabalham com a cultura da maçã em 390 hectares —  na prática, cerca de 390 campos de futebol, com medidas máximas.

Atualmente 15 famílias trabalham com a produção da maçã em Palmas. Na atividade, direta e indiretamente, são empregadas quase duas mil pessoas.

A título de curiosidade

Responsáveis por 37% de toda a produção do Paraná, os produtores de Palmas cultivam maçãs de ótima qualidade que são comercializadas não só na região como para todo o Brasil.

Apesar de ainda não exportarem a fruta, trabalham com os maiores distribuidores do ramo no país. Por se destacar na produção no Paraná, Palmas é conhecida como a Capital da Maçã.


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