‘No Zoom, mulheres sentem mais fadiga do que os homens’

‘No Zoom, mulheres sentem mais fadiga do que os homens’

WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn
Em fevereiro, um estudo da Universidade Stanford chamou a atenção por delinear as possíveis causas para o fenômeno conhecido como “fadiga de Zoom”, que se refere ao cansaço excessivo causado por videochamadas – a identificação do problema forçou empresas do segmento a repensarem suas plataformas. Entre os cinco autores da pesquisa está a brasileira Anna Carolina Queiroz, de 39 anos, integrante do Lemann Center e do Virtual Human Interaction Lab, da Universidade Stanford.
Formada em psicologia e com mestrado na USP em psicologia do desenvolvimento da aprendizagem, Anna foi convidada pelo professor Jeremy Bailenson – autor de outros estudos sobre “fadiga do Zoom” – para integrar o time de pesquisadores da universidade americana. Por lá, a brasileira terminou o doutorado e desenvolveu estudos sobre tecnologias imersivas, como realidade virtual, para estudantes – os resultados são aplicados em um projeto com alunos de escolas da Bahia.
Nos EUA há três anos, a pesquisadora tem foco na área de educação. Foi sob essa perspectiva que ela desenvolveu o estudo de fadiga de Zoom focado no Brasil, que identificou maior índice de cansaço em estudantes.
Em uma videochamada com o jornal O Estado de S. Paulo, Anna falou mais sobre a pesquisa e indicou quais devem ser os próximos passos do estudo. Confira os melhores trechos da conversa.
Como surgiu a ideia de fazer o estudo olhando para o Brasil?
A gente tem a escala de fadiga de Zoom nos EUA e, sendo brasileira, a primeira coisa que pensei era que a gente precisava de uma versão no Brasil. O objetivo principal do estudo foi trazer esse instrumento para o País, para que seja aplicado e que seja insumo para instituições entenderem o problema. Trabalhamos na validação e verificação desses fatores de fadiga voltados para o cenário brasileiro e isso oferece a oportunidade para entender aspectos desse cansaço.
É possível comparar os resultados dos EUA com o Brasil?
Sim. Nesse sentido, o resultado do modelo foi excelente: as questões levantadas nos EUA se aplicam ao Brasil. Inclusive, a gente achou que o efeito de gênero também se replica. Ou seja, as mulheres sentem mais fadiga do que os homens no Brasil também. Este é o primeiro estudo que faz essa avaliação. Não tem estudos com relação à fadiga de videoconferência no Brasil ainda, mas a nossa hipótese é que a gente vai achar as mesmas coisas. Os dados são muito robustos.
Como é feita a avaliação dos resultados?
A gente avaliou a fadiga de videoconferência por meio de um questionário que apresentava respostas com níveis de 1 a 5, sendo 5 o nível mais extremo de fadiga e 1 sendo o mínimo. A média geral que a gente teve para a população brasileira foi de 2,12, que é um nível intermediário. O questionário avaliou cinco elementos principais da fadiga para analisar o que a gente chama de fadiga geral. Algumas das perguntas querem saber, se depois de videoconferências, as pessoas se sentem cansadas, se a visão fica embaçada, se as pessoas querem ficar sozinhas depois de videochamadas.
A pesquisa pode ajudar a encontrar soluções para o problema no Brasil?
Claro! O que tem sido feito nos EUA também pode ser ajustado ao Brasil. A gente viu que sessões mais longas de videoconferência, por exemplo, aumentam a fadiga. Então, o ideal é não marcar uma hora cheia, marque cinquenta minutos, tente reduzir e ter um intervalo. A gente também achou que reuniões mais frequentes aumentam a fadiga. Então, repensar a dinâmica desses encontros na população brasileira é importante.
Quais soluções podem ser adaptadas para o País?
As soluções que a gente sugere são em uma esfera individual, corporativa e das empresas que desenvolvem esses aplicativos. Se eu sei que ficar travado em frente à câmera é uma coisa que contribui para a fadiga, uma opção pode ser elevar a câmera, em um ângulo em que você possa levantar, caminhar. Se eu sei que ficar me vendo o tempo inteiro aumenta a fadiga, então eu posso desabilitar essa função. Na esfera corporativa, se não está compartilhando nenhuma tela e é uma reunião de duas pessoas, não precisa estar com a câmera ligada. Às vezes, é aquela coisa do “essa reunião poderia ser um e-mail” (risos).
Quais os próximos passos da pesquisa?
A gente quer ampliar a pesquisa. Queremos levar para o Brasil parte dos mecanismos para entender quais fatores implicam mais nesta fadiga. Vamos tentar correlacionar esse cansaço também com outras coisas e entrar na parte da educação. Queremos ver como alunos de diferentes idades têm se sentido. A gente vê que, daqui pra frente, o ensino híbrido vai ser cada vez mais comum. E quando a gente fala disso, estamos falando de longas horas em que o aluno fica ali em frente à tela. A gente quer entender para trazer soluções com base científica.

Deixe um comentário

Noticias relacionadas

Síganos

Últimas noticias

Un paseo por la frontera

Turismo

Intercambio de Fronteras

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --