Kitesurf usa 1º rali no Brasil para fazer ações sociais e ambientais no Nordeste

Kitesurf usa 1º rali no Brasil para fazer ações sociais e ambientais no Nordeste

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A sigla ESG, que denota as preocupações ambientais, sociais e de governança de uma empresa, ainda aparece pouco no esporte, mas iniciativas já começam a aparecer. Uma delas vai ocorrer no primeiro rali de kitesurf do Brasil, em outubro: o tricampeão mundial Guilly Brandão e a empresa Mídia Sustentável utilizarão a oportunidade para criar iniciativas ambientais e sociais em cidades ao longo da costa do nordeste, por onde passará a competição.

O rali será disputado entre os dias 8 e 14 de outubro, saindo de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, e indo até Preá, no Ceará. A organização será a mesma do Rally dos Sertões, competição automobilística tradicional, e a disputa deve ter 500km ao todo. Guilly, no entanto, não competirá “para valer” – o foco será nas ações que promoverá junto com a equipe Soul Global Kitesurf 2021.

“Conhecemos bastante a situação dos vilarejos locais, e fazemos algumas ações, mas que não tem acompanhamento. Essa que estamos desenvolvendo agora é de médio a longo prazo”, explica Guilly. O atleta irá participar da competição de kitesurf, mas diz que não totalmente, deixando a água para “dar aulas” a crianças da região sobre como praticar o kitesurf, ensinando-os a se equilibrar e manobrar uma prancha, além de participar da limpeza de praias.

O Kitesurf consiste em se deslocar sobre uma prancha, com tracção do vento através de uma estrutura que se assemelha a uma pipa gigante ou a um parapente. As manobras são no mar.

O ato de ensinar a praticar o esporte e fazer doações de equipamentos para que escolas de kitesurf das cidades costeiras possam ensinar crianças carentes é apenas uma parte do planejamento. Outras envolvem, por exemplo, a parceria com o poder público e empresas para instalação de ecopontos e apoio a cooperativas de coleta seletiva, a criação de uma cartilha de comportamentos para quem quiser fazer ecoturismo na região e a parceria com o aplicativo “Km solidário”, em que cada quilômetro percorrido pelos membros da equipe no rali será convertido em doações de cestas básicas.

Outro ponto é o uso da mídia. A equipe terá parcerias com influenciadoras como a bióloga Mariana Almeida e a jornalista Letícia Datena e um documentário será produzido para exibição nos canais Globosat. Segundo Caio Queiroz, dono da empresa Mídia Sustentável, a intenção é também dar visibilidade para as empresas e marcas que apoiarem os projetos locais. “Não vamos fazer tudo agora. Vamos levantar bandeiras, usar a mídia e depois da ação do rali, montar projetos para grandes empresas virem ajudar a região”, acredita.

A intenção principal é ajudar na geração de empregos em setores considerados “verdes”, unindo as partes ‘ambiental’ e ‘social’ da sigla ESG. Além das ações de coleta seletiva, um objetivo seria trazer investimentos para a geração de energia solar e apoiar iniciativas já existentes nas cidades da região.

O kitesurf também é visto como uma forma de gerar empregos, para instrutores e funcionários de escolas, além de incentivar o surgimento de futuros atletas na modalidade, que estará nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. “Estou disposto a usar minha figura para dar voz e amplificar onde podemos fazer mais efeito de fato”, afirma Guilly. Por outro lado, o esporte é considerado uma forma de incentivar a consciência ambiental, já que os atletas têm essa preocupação por estarem em contato frequente com a natureza.

“O mais importante é ver que essa é uma ação que começa no rali, mas que não termina ali. É só o ponto de partida para uma transformação mais profunda que queremos ajudar a tornar realidade”, resume Queiroz.


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