Em webinário, Barroso volta a criticar discurso de ‘fraude’ nas eleições

Em webinário, Barroso volta a criticar discurso de ‘fraude’ nas eleições

WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn
Alvo do presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, voltou a defender as urnas eletrônicas e a criticar a retórica de ataque a elas como forma de deslegitimar o processo eleitoral. Ao traçar um panorama das democracias no mundo, o ministro apontou o discurso de recusa na aceitação de derrotas como uma das características de regimes autoritários contemporâneos.

“Uma das vertentes do autoritarismo contemporâneo é a ideia de que ‘se eu perder, houve fraude’. É a inaceitação do outro, de que alguém diferente de mim possa ganhar as eleições”, disse nesta quarta-feira, 4. “O sistema eletrônico brasileiro, em 25 anos, nunca apresentou um caso sequer comprovado de fraude. Nós inclusive acabamos com as fraudes que marcaram a vida brasileira nos tempos do voto em papel.”

Barroso participou nesta manhã do webinário ‘Reforma Política e Eleitoral – Temas Relevantes para as Eleições 2022’, idealizado pela Presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e organizado pela Escola Judiciária Eleitoral (EJE-RJ).

No início do ano, aliados do ex-presidente Donald Trump invadiram o Capitólio em ação de protesto contra a eleição de Joe Biden, resultando em 5 mortos e centenas de feridos. A multidão foi insuflada por Trump, que acusava fraude nos resultados sem provas. Também no Peru, recentemente, Keiko Fujimori resistiu a aceitar a derrota na disputa presidencial alegando irregularidades, sem comprovar seus argumentos.

Barroso tornou-se o principal alvo de Bolsonaro na esteira da discussão sobre o voto impresso. Como mostrou o Estadão, bolsonaristas desencadearam também uma ofensiva digital contra o presidente do TSE. O próprio presidente tem procurado manter o foco das críticas em Barroso, na tentativa de atenuar um conflito institucional entre os Poderes.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje à frente do TSE, citou especificamente o Brasil ao falar do ataque às urnas e das mentiras espalhadas sobre elas nas redes sociais. Em outros momentos, contudo, limitou-se a falar de modo geral sobre outros países que vivem cenários de turbulência democrática para elencar aspectos característicos desses regimes. Entre eles, a “colonização” de tribunais e a mudança de regras do jogo político-eleitoral.

“Nesses modelos iliberais, concentram o poder no Executivo, perseguem-se líderes da oposição, demoniza-se a imprensa, mudam-se as regras do jogo e procura-se colonizar tribunais com juízes submissos. É uma receita que se repete em diferentes partes do mundo”, observou. A primeira indicação de Bolsonaro para o STF, Kassio Nunes Marques, tem sido considerado um ministro alinhado com o presidente; ele indicou ainda o advogado-geral da União, André Mendonça, para a vaga do ministro Marco Aurélio Mello, que se aposentou mês passado, mas a nomeação Mendonça ainda depende do aval do Senado.


Deixe um comentário

Noticias relacionadas

Síganos

Últimas noticias

Un paseo por la frontera

Turismo

Intercambio de Fronteras

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --