Correção: ‘Mercado de trabalho ainda está fragilizado’

Correção: ‘Mercado de trabalho ainda está fragilizado’

WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn
A nota enviada anteriormente, aproveitando reportagem da edição desta sexta-feira, 28, do jornal O Estado de S. Paulo, continha uma incorreção. O pico do desemprego deve ser alcançado em setembro, e não em junho, conforme Bruno Ottoni, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e da consultoria IDados. Segue a nota com o texto corrigido e ampliado, com a versão publicada e atualizada no Portal do Estadão:

O recorde de desemprego verificado em março tende a ser superado até setembro, e chegar a 15,5% da população em idade para trabalhar, prevê Bruno Ottoni, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e da consultoria IDados.

Pelo seus cálculos, que levam em conta a antiga Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita a partir de 1992, e depois substituída pela Pnad Contínua, em 2012, a taxa atual e o total de desempregados, de 14,8 milhões de pessoas, são os maiores em quase 30 anos.

A seguir, trechos da entrevista.

Qual sua avaliação sobre os dados divulgados pelo IBGE?

Os números deixam bem claro que o mercado de trabalho está muito fragilizado. O que me chama a atenção é que essa taxa de 14,7% de desemprego é recorde não só em relação à série da Pnad Contínua, que começa em 2012, mas também em relação à série antiga, que era anual e começou em agosto 1992. Se retroagirmos os dados compatíveis com base na série que o Ibre criou para analisar o desemprego passado, vamos ver que é a maior taxa desde aquele período.

O que deve ocorrer daqui para frente com o emprego no País?

Minha projeção é de que a taxa de desemprego vai continuar aumentando até setembro e chegar a 15,5%. Daí em diante pode ser que o cenário comece a melhorar, mas vai depender de como avança a vacinação e o crescimento econômico. Se a vacinação deslanchar mais rapidamente podemos ter um terceiro trimestre razoável e chegar ao fim do ano com taxa de desemprego de 14,6%.

Há chances de uma recuperação da economia?

Há um crescimento econômico nesse início de ano que está surpreendendo positivamente alguns analistas, mas não é um crescimento suficiente para absorver todas as pessoas que saíram do mercado de trabalho. Muitas voltaram a procurar emprego pois não podem mais ficar em casa, precisam de sustento, por isso também que a taxa aumentou. O isolamento está caindo mesmo no auge da pandemia.

O Caged divulgado na quarta-feira mostra saldo positivo na criação de empregos formais. Isso tende a continuar?

O Caged é uma parte pequena do mercado de trabalho (envolve trabalhadores com carteira assinada), enquanto a Pnad é um retrato mais amplo. Mesmo que continue crescendo, não será suficiente para alterar de forma significativa esse quadro do mercado de trabalho porque muita gente está desempregada. E temos também recorde de desalentados e milhões de pessoas que estão fora da força de trabalho potencial.

Uma eventual recuperação até o fim do ano deverá gerar mais vagas formais ou informais?

Acredito que vamos ter um quadro de emprego com carteira assinada subindo, mas um quadro de emprego informal subindo mais. É comum em momentos de recuperação que as pessoas primeiro conseguem empregos informais e depois transitam para formais. Ainda mais numa situação atual, de elevada incerteza. A tendência é que empregador contrate informalmente pois, se tiver uma surpresa negativa tem custo zero de demitir. Mas se a recuperação se manter, se a economia começar a crescer e a incerteza começar a se dissipar, mais para frente o emprego se converte em formal.


Deixe um comentário

Noticias relacionadas

Síganos

Últimas noticias

Un paseo por la frontera

Turismo

Intercambio de Fronteras

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --