Felicidade em números: saiba como ela está sendo mensurada no trabalho

Felicidade em números: saiba como ela está sendo mensurada no trabalho

WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn
Dá pra medir felicidade? Apesar de ser um sentimento abstrato, uma sensação, ela vem sendo transformada em números e porcentagens por empresas de tecnologia. O tema, que ganhou força durante a pandemia, mostra que por meio de aplicativos e softwares, a felicidade pode ser um dos principais indicadores para a manutenção do bem-estar no ambiente de trabalho.
A felicidade geral do Brasil, que vinha caindo desde 2013, teve queda de 0,4 pontos na pandemia, chegando a 6,1 em 2020, o menor índice da série histórica em 15 anos, segundo dados da pesquisa Bem-estar trabalhista, Felicidade e Pandemia, da FGV Social, publicada em junho de 2021.
“Não é só uma questão de dinheiro no bolso. Há outros componentes relacionados à felicidade no trabalho e se o colaborador está bem e feliz, ele vai ser mais produtivo”, diz o coordenador da pesquisa da FGV Social, Marcelo Neri. Ainda segundo o levantamento, a situação da felicidade é pior para os mais pobres, diferentemente dos mais ricos que mantiveram o mesmo grau de satisfação com a vida. A distância entre extremos de renda sobe de 7,9% para 25.5%.
Em resposta aos dados, é crescente o número de empresas que começaram a revelar preocupações com a segurança psicológica do colaborador. De acordo com a pesquisa da Kenoby, startup de recrutamento e seleção, dos 488 profissionais de RH entrevistados entre fevereiro e março de 2021, 71,1% não têm uma área dedicada à saúde mental dos colaboradores na empresa, mas 35% pretendem investir em menos de um ano.
Essa demanda foi percebida pela FairJob. A plataforma de humanização organizacional, que cresceu quase 300% apenas nos últimos seis meses, busca por meio de 63 perguntas para colaboradores e 56 para gestores, mensurar o grau de prosperidade dentro da empresa. Essa taxa, que descobre o nível de bem-estar dos colaboradores e identifica possíveis ajustes, cruza os dados do índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), do Net Promoter Score (NPS), que mede a experiência dos clientes, do EBITDA, que quantifica o lucro operacional da empresa, e das medidas de ESG focadas nas áreas ambiental, social e de governança da organização.
Com 11 empresas analisadas e 1200 pessoas mensuradas, o fundador da FairJob, Fernando Brancaccio, afirma que o aumento da confiança dos colaboradores é perceptível. “A pesquisa, que dura de 8 a 15 minutos, gerou um aumento na credibilidade da empresa na visão dos colaboradores. O cuidado e a preocupação com a segurança psicológica, estresse, saúde mental melhoram a confiança”, destaca.
A mensuração da felicidade é a cereja do bolo
Oito perguntas, dois minutos e está pronto o pulso de felicidade que é o resultado da taxa de felicidade e o da taxa de alinhamento com a cultura da empresa. Esta é a proposta da Fiter, empresa que lançou o seu software em dezembro de 2020 com o objetivo de utilizar a tecnologia de neurociência para impulsionar a felicidade no mercado de trabalho.
Funciona assim: a Fiter analisa a cultura organizacional da empresa e desenvolve quatro perguntas com um foco maior no clima interno e outras quatro com base em estudos de neurociência. Após a construção das oito perguntas, os respondentes da pesquisa, que recebem o chamado pelo WhatsApp ou email, dão oito clicks para respondê-las. A pesquisa, feita uma vez ao mês, mostra a taxa do quão os respondentes se sentem felizes dentro da empresa e do quanto a empresa ‘conversa’ com os seus ideais e sonhos.
“Quando a pessoa enxerga que está no cargo certo, que ela tem orgulho de trabalhar na empresa, que ela trabalha em um clima organizacional favorável e que ela se sente produtiva, ela consegue gabaritar a felicidade no ambiente de trabalho”, destaca Sérgio Amad, CEO da Fiter.
Para atingir essas quatro dimensões da felicidade no trabalho, Sérgio esmiúça a ciência por trás do aplicativo. Elementos da neurociência,da psicometria, da programação neurolinguística, da psicologia clássica e da people track solution (PTS, sigla em inglês) foram utilizados para compor o algoritmo. Já são 30 mil usuários de 500 cargos diferentes em todos os estados do Brasil.
Um deles é um praticante de crossfit na academia K30X em Goiânia. Ele quase desistiu de frequentar o centro de treinamento por conta da música tocada no ambiente. Essa reclamação foi colocada na medição da felicidade no aplicativo da Fiter e no mesmo dia o problema foi resolvido pelo sócio da academia, Danilo Khoury. “Esse é um comentário que nunca chegaria a mim, no máximo, somente uma pessoa ao lado dele ouviria. No mesmo dia, já entrei em contato com o aluno, conversamos e já mudamos a playlist da academia”, destaca.
O primeiro pulso de felicidade na K30X foi realizado dia 9 de junho, o segundo começou na última segunda-feira (05/07). Com foco nos 300 alunos do centro de treinamento, cerca de 75%, dos 77 que responderam a pesquisa, se sentem bem e felizes em praticar os exercícios na academia. O foco são os outros 25%, diz Danilo. “Percebemos com o pulso que falta o sentimento de pertencimento desses não tão felizes. Além disso, alguns acham que não são as pessoas certas para a realização da atividade e essa é a ideia que precisamos mudar”, enfatiza.
“É a cereja do bolo”, diz Amelina Prates, diretora de operações na Adão Imóveis, sobre o software da Fiter. Fundada em 1983, a imobiliária do Goiás tem em sua essência o valor da felicidade, da paixão pelo trabalho. A empresa, que já chegou a demitir diretores por não terem uma liderança positiva, busca por meio de treinamento, capacitação, aulas e projetos interdisciplinares formar e desenvolver os colaboradores e gerar um sentimento de pertencimento e de felicidade no escritório. “As pessoas vivem picos e vales e procuramos dar sentido à caminhada. Queremos auxiliar a encontrar o propósito de vida, missão, valores, o que é importante para cada um”, ressalta.
E para conseguir mensurar se todas as iniciativas estão funcionando, Amelina e Renata Borges, gerente de gestão de talentos, receberam a certificação da Fiter e, em 16 de julho, a empresa vai iniciar a medição mensal do pulso de felicidade dos funcionários. “É o uso da inteligência artificial para validar e auxiliar esse processo de entender como estão os nossos 900 funcionários. É a gestão da felicidade”, destaca Renata.
Conhecer os funcionários é importante
É através dos dados também que a Fhinck procura conhecer os funcionários das empresas com as quais trabalha. Após 20 anos na área de melhorias de processos, o CEO, Paulo Castello, percebeu que os dados poderiam facilitar o entendimento de como as pessoas trabalham. “Estamos mapeando uma série de características invisíveis ao olho humano. A ferramenta desenha perfis de função diários”, enfatiza.
O software desenvolvido pela Fhinck é instalado no computador e analisa as tarefas realizadas por cada profissional, assim como as rotinas, processos e interação entre os sistemas de forma não invasiva, sem capturar tela, conteúdo ou digitação. O colaborador não precisa preencher nenhuma pesquisa, a plataforma mapeia como ele trabalha diariamente e compara com outras pessoas para ver quais atividades demandam mais tempo e podem ser simplificadas.
Em abril de 2021, a empresa de tecnologia implantou a plataforma para mapeamento da Síndrome de Burnout, que consegue identificar quem está próximo da linha limite para o esgotamento físico e mental. Algumas das variáveis são a falta de descanso entre as jornadas, a sequência extensa de reuniões, aspectos da legislação trabalhista, entre outras. A pesquisa foi realizada com 12180 colaboradores em diversos países. Destes, 846 estão em risco de Burnout e há uma média de 7% dos casos no Brasil.

Deixe um comentário

Noticias relacionadas

Síganos

Últimas noticias

Un paseo por la frontera

Turismo

Intercambio de Fronteras

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --